Ouça este artigo
html
Esther Gama é estagiária sob a supervisão de Luciana Rodrigues. Este texto apresenta a visão dela sobre a violência contra a mulher e como ela afeta o trabalho e a saúde mental das funcionárias. Ela mostra como as empresas criam canais de apoio e medidas de proteção para ajudar as vítimas. O foco fica nas ações de Magazine Luiza, Natura e Banco do Brasil, entre outras, que oferecem atendimento jurídico, apoio psicológico e a possibilidade de transferência de local de trabalho para reduzir impactos na produtividade. Assim, a reportagem busca entender como o ambiente de trabalho pode se tornar mais seguro e acolhedor para quem enfrenta violência doméstica.
- Violência contra mulheres afetando a saúde mental e o rendimento no trabalho
- Empresas criam canais de apoio com atendimento jurídico, psicológico e proteção, incluindo transferência de local de trabalho
- Magazine Luiza, Natura e Banco do Brasil mostram iniciativas para acolher e manter funcionárias empregadas
- O tema impacta o clima organizacional, faltas e retenção de talentos, exigindo ações mais sérias
- Parcerias e espaços de proteção atuam para apoiar mulheres, inclusive quem não tem contrato formal
Violência contra mulheres aumenta e empresas criam canais de apoio
Dados e impactos no mercado de trabalho
Elevaram-se os relatos de violência contra mulheres e a prática de afastar funcionárias por esse motivo tem afetado a rotina de trabalho e a saúde mental. Em resposta, grandes empresas passaram a oferecer canais de apoio com atendimento jurídico e psicológico, além de medidas de proteção como transferência de local de trabalho para reduzir riscos.
Segundo informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2025 houve um registro de 91 mulheres que precisaram se afastar por violência física, sexual ou abuso psicológico. Em 2021, primeiro ano com dados por gênero, foram 22 casos — um aumento de aproximadamente 313% em quatro anos. A identificação médica costuma ocorrer pela Classificação Internacional de Doenças (CID), e na maior parte dos atestados não é indicado quem cometeu a violência; apenas dois casos em 2025 citaram cônjuge ou parceiro como agressor.
Abordagens do setor privado
A VR, empresa de gestão de vale-refeição e de controle de presença, mostrou um aumento relevante: foram 58 afastamentos por violência contra mulheres em 2025, ante 23 em 2023. A base utilizadas para esse levantamento envolve atestados médicos enviados por cerca de 30 mil empresas, em uma rede com aproximadamente 4 milhões de trabalhadores. Entre as ocorrências, destacam-se 49 casos de agressão física, 6 de maus-tratos, 2 de negligência ou abandono e 1 de agressão sexual por meio de força física. Executivos da VR reconhecem que há mais divulgação e acolhimento por parte das empresas, mas dizem que ainda é necessário ampliar o suporte, principalmente entre companhias de menor porte que enfrentam maiores impactos operacionais com afastamentos.
Casos e experiências individuais
Casos de vítimas que buscaram ajuda no ambiente corporativo ajudam a entender a realidade. Uma funcionária, citada de forma não nominal, relatou ter saído de casa com as filhas após violência, sem recursos, conseguindo apenas alguns dias de folga por meio do banco de horas; a resposta institucional, na época, foi de que havia regras internas que não permitiam apoio adicional. Relatos similares apontam um padrão de dificuldade para quem pede licença por motivos de violência, com sensação de estigma e receio de perder o emprego caso a ausência se estenda.
Iniciativas históricas de grandes empresas
O Magazine Luiza inaugurou, em 2017, o Canal da Mulher, um serviço de atendimento que recebe denúncias via telefone, e-mail e site de uma empresa parceira e encaminha rapidamente casos para suporte jurídico, policial e psicológico. O programa, criado após um caso de feminicídio envolvendo uma colaboradora, já atendeu milhares de funcionárias e está entre as iniciativas mais visíveis do setor privado para proteção no ambiente de trabalho.
A Natura criou, em 2020, o Canal Ângela para atender principalmente suas colaboradoras e consultoras. Em 2025, o canal registrou atendimento a 294 mulheres, com 104 encaminhamentos para políticas públicas e 62 transferências custeadas pela empresa para delegacias ou serviços especializados.
Cultura de prevenção e rede de apoio
Beatriz Accioly, que lidera a Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres, aponta que muitas indicações de violência surgem por meio de colegas atentos que notam mudanças no comportamento de uma funcionária e buscam suporte com consentimento. A atuação da coalizão envolve mais de cem empresas e ressalta que a violência de gênero afeta a saúde, o sono, a concentração e a capacidade de planejar. O tema também repercute na gestão de pessoas, no clima organizacional, no absentismo e na retenção de talentos, e requer envolvimento firme de setores corporativos de todos os portes.
Medidas setoriais e casos institucionais
O Banco do Brasil lançou, em agosto do ano passado, um canal de acolhimento para funcionárias em situação de violência doméstica, com transferência de agência, apoio financeiro e anonimização de dados para evitar retaliação. Desde a implantação, foram atendidas 37 colegas em todo o país.
Em resposta a denúncias de assédio sexual em 2023, a Petrobras alterou seu canal interno de apuração e estabeleceu normas para afastar temporariamente líderes envolvidos e exigir formação antes de retorno aos cargos. Em 2024, a estatal também criou o programa Homens Aliados, rodas de conversa para discutir masculinidade e prevenção.
Outras ações vão além do vínculo empregatício formal. O iFood firmou parceria com o Instituto Justiça de Sair, vinculada ao projeto Justiceiras, para apoiar entregadoras vítimas de violência doméstica com rede de atendimento jurídico, psicológico e socioassistencial.
Conclusão
O texto revela que a violência contra a mulher impacta de forma decisiva a saúde mental e a produtividade no ambiente de trabalho. Em resposta, grandes empresas implementam canais de apoio com atendimento jurídico e psicológico, além de medidas de proteção como a transferência de local de trabalho, para reduzir riscos. Iniciativas de Magazine Luiza, Natura, Banco do Brasil e de outros atores demonstram que o acolhimento institucional, a proteção de dados e a capacidade de manter a funcionária no emprego são vitais para a retenção de talentos e para melhorar o clima organizacional. Ainda assim, persiste a necessidade de ampliar o suporte, especialmente entre empresas de menor porte, fortalecer a prevenção e promover parcerias e redes de apoio. Assim, ambientes mais seguros e acolhedores dependem de um compromisso contínuo com formação, políticas públicas e uma cultura de respeito.
Perguntas frequentes
– Como a violência contra a mulher afeta as empresas?
Afastamentos sobem. Saúde mental fica abalada. Rotina de trabalho vira desafio. Produtividade cai. Custos com apoio aumentam.
– Que tipos de apoio as empresas costumam oferecer?
Atendimento jurídico e psicológico. Orientação sobre direitos. Transferência de local de trabalho quando necessário. Acolhimento e encaminhamentos a serviços. Proteção de dados para anonimizar a denúncia.
– Quais exemplos de empresas criaram canais de apoio?
Magazine Luiza: Canal da Mulher desde 2017. Natura: Canal Ângela desde 2020. Banco do Brasil: canal de acolhimento com transferência. iFood: parceria com Justiça de Sia para entregadoras. O Metrô de São Paulo mantém postos de atendimento.
– Como as iniciativas ajudam a manter a funcionária no emprego?
Acolhem a vítima, orientam e encaminham para serviços. Faltas são justificadas para não perder salário. Transferências evitam contato com o agressor. Dados protegidos ajudam na segurança. Mantêm renda e dignidade.
– Como os colegas podem ajudar?
Observam sinais de sofrimento e perguntam com respeito. Não espalham fofocas. Acionam o canal de apoio rápido. Apoiando o retorno ao trabalho de forma segura. A empresa age para proteger a funcionária.