Líderes da América Latina e Caribe pedem união regional para enfrentar era Trump

Ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, surge como figura central no Fórum Econômico Internacional do CAF no Panamá, onde líderes debatem a integração regional para enfrentar o enfraquecimento do multilateralismo e a mudança de postura dos Estados Unidos. Temas-chave incluem comércio, minerais críticos e narcotráfico, com apelos por ação coletiva para fortalecer a região.

  • Temas centrais: comércio, minerais críticos e combate ao narcotráfico com cooperação policial.
  • Panamá defende um bloco único da América Latina para ampliar o poder de negociação, destacando a importância de uma visão compartilhada para enfrentar ameaças externas, com referência ao papel estratégico do Canal do Panamá.
  • Desafios: instituições internacionais enfraquecidas, influência externa e necessidade de ação conjunta.

Integração Regional em Foco no CAF: Cooperação e Bloco Único

Resumo do Encontro no Panamá
No Fórum Econômico Internacional do CAF, na Cidade do Panamá, sete chefes de Estado e um presidente eleito reuniram-se para discutir como a América Latina e o Caribe podem enfrentar o enfraquecimento do multilateralismo e as mudanças na postura dos EUA. Os temas centrais foram comércio, minerais críticos e o combate ao narcotráfico, com defesa de ação conjunta para fortalecer a região. A pauta enfatizou a necessidade de reduzir divergências ideológicas e buscar soluções pragmáticas.

Principais propostas e posições
O ex-presidente Lula destacou a necessidade de avançar na integração regional, moldada pela diversidade de caminhos locais e evitando modelos importados que não respeitem a realidade regional. Ele ressaltou que a cooperação deve ser baseada em parcerias sólidas para evitar a vulnerabilidade da região pela fragmentação, defendendo um regionalismo possível que respeite as especificidades locais.

O CAF, representado pelo presidente-executivo Sérgio Diaz-Granados, apontou alta informalidade, pobreza e desemprego como desafios que exigem políticas coordenadas para transformar fragilidades em oportunidades.

O presidente do Panamá, José Raúl Molino, enfatizou a complementaridade entre países e a cooperação entre público e privado. Segundo ele, apenas um bloco econômico único terá poder de negociação mais concreto diante de ameaças externas. Molino lembrou que o Panamá integra o Mercosul e citou o Canal do Panamá como rota estratégica para o comércio mundial, destacando que a solução de desafios regionais requer uma voz mais contundente.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou a paralisia percebida de Nações Unidas e de mecanismos multilaterais, citando Gaza como exemplo. A ONU deveria agir para impedir genocídios e promover a paz global, e a região não pode depender de intervenções externas. Petro também defendeu responsabilização de figuras políticas por vias judiciais adequadas, seja na Venezuela ou por meio de tribunais que envolvam as Américas, e reforçou a necessidade de uma integração policial regional para enfrentar o narcotráfico, destacando a cooperação com os EUA para redes de combate mais eficientes, entendendo também os impactos de cenários externos como as mudanças na ordem mundial exploradas em artigos sobre o tema o pacto Mercosul-UE no contexto regional.

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, defendeu que a América Latina não está condenada ao fracasso econômico nem à violência, desde que haja cooperação contínua e resposta coordenada ao crime organizado. A segurança é vista como condição essencial para democracia, investimentos e futuro sustentável.

Lula voltou a defender um regionalismo possível que respeite as lições da União Europeia, porém reconhecendo as especificidades históricas, econômicas e culturais da região. O potencial regional é visto na energia, na produção de alimentos e na abundância de minerais, incluindo minerais críticos e terras-raras. O objetivo é desenvolver parcerias que criem empregos e gerem valor agregado local, em vez de exportar apenas matéria-prima.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, afirmou que o diálogo iniciado no Panamá não havia ocorrido em outras plataformas internacionais e pediu que a região influencie o cenário geopolítico. A mensagem é de que a viabilidade de cada país depende da viabilidade dos demais e da participação ativa nas decisões globais.

Participantes como o presidente do Equador, Daniel Noboa; o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo; e o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, destacaram avanços práticos em integração e citaram resultados sociais positivos, como redução da pobreza, como evidência de que a cooperação regional gera benefícios tangíveis.

Conclusão
A liderança da região precisa caminhar com passos firmes rumo à integração regional como resposta ao enfraquecimento do multilateralismo e à mudança de postura dos EUA. O objetivo é um regionalismo autônomo e pragmático que reconheça as especificidades locais e gere empregos, valor agregado e oportunidades. Os temas centrais — comércio, minerais críticos e combate ao narcotráfico — exigem cooperação entre Estado e setor privado. A ideia de um bloco econômico único oferece maior poder de negociação, mas enfrenta desafios como instituições internacionais enfraquecidas e a necessidade de ações conjuntas e coordenadas. A via prática, com integração policial regional e parcerias sólidas, aparece como o caminho para transformar divergências em oportunidades reais. O recado é claro: a região não pode depender apenas de soluções externas; é hora de agir de forma coletiva e responsável para manter a estabilidade e o crescimento.

Em síntese, o Panamá aponta uma rota de construção conjunta. O sucesso depende da capacidade de manter o diálogo ativo, transformar promessas em políticas e manter a integração no centro da agenda regional. Leia mais artigos em MoneyNews – regionalismo possível.