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O ONS determinou pela primeira vez o corte de geração em pequenas usinas conectadas às redes de distribuição, em resposta a um desequilíbrio no sistema elétrico. A medida envolve várias distribuidoras e abrange unidades geradoras que não estão sob controle direto da operação central. As PCHs, as usinas solares e as plantas de biomassa enfrentaram cortes para manter a segurança da rede, destacando o papel das fontes renováveis e a menor inércia do sistema. A reportagem acompanha quem perde com esses cortes e como especialistas avaliam impactos e caminhos para políticas públicas que organizem o setor.
- ONS cortou geração de pequenas usinas conectadas às distribuidoras para manter a rede estável
- O corte atingiu usinas centrais como solar, eólica de menor porte, PCHs e biomassa
- Microgeradores residenciais com energia própria não foram afetados
- Motivo é queda de demanda, excedente de renováveis e menor inércia e controle de frequência e tensão
- Quem sofre são as geradoras menores; há expectativa de ações públicas para evitar apagões
Excesso de energia leva ONS a cortar geração em pequenas usinas pela primeira vez
Contexto e alcance da medida
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou, pela primeira vez, cortes de geração em unidades geradoras de pequeno porte conectadas às redes de distribuição para manter a segurança do sistema. Doze distribuidoras foram acionadas para reduzir a produção em aproximadamente 23,5% das usinas sob sua concessão que não ficam sob controle direto do ONS. A medida visa equilibrar a oferta com a demanda diante do excedente de geração renovável e da menor inércia da rede.
Segmentos impactados e o que ficou de fora
As unidades afetadas são as chamadas unidades geradoras centralizadas, como usinas solares e eólicas de menor porte, bem como PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e usinas a biomassa que vendem energia. Não houve corte em microgeradores que usam a energia gerada localmente, incluindo sistemas residenciais ou comerciais com geração distribuída em telhados.
Contexto técnico e impactos na operação
A situação reflete um desequilíbrio maior entre oferta e demanda, com grande volume de geração de fontes renováveis não controláveis e menor capacidade de inércia na rede. Esses fatores dificultam a manutenção de frequência e de tensão estável, fatores essenciais para evitar interrupções mais extensas no sistema elétrico.
Aspectos financeiros e responsabilização
Especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro apontam que as distribuidoras possuem autonomia para gerir os cortes com base em critérios técnicos, marcando pela primeira vez um cumprimento direto de uma determinação do ONS. Segundo o professor Nivalde de Castro, as perdas financeiras devem recair principalmente sobre as pequenas centrais hidrelétricas, fazendas solares e outros negócios de geração que tiveram a operação suspensa, pois deixam de receber pela energia gerada e ainda precisam arcar com o custo de fornecer energia aos clientes. Em casos práticos, grandes compradores, como redes de supermercados, podem ver faturas repassadas pela distribuidora à geradora afetada pelo corte. Alguns prevêem ações legais em busca de reparação.
Conclusão
O episódio demonstra que o sistema elétrico brasileiro está passando por uma mudança operacional relevante: há maior participação de fontes renováveis não controláveis e menor inércia da rede, o que torna mais desafiadora a manutenção de frequência e tensão estáveis. A decisão do ONS de cortar a geração em unidades conectadas às redes de distribuição, atingindo pequenas centrais como PCHs, usinas solares e biomassa, evidencia a dependência de critérios técnicos das distribuidoras e a exposição de pequenos produtores a perdas financeiras. O fato reforça a necessidade de políticas públicas que promovam maior flexibilidade, armazenamento e coordenação entre agentes, bem como mecanismos de remuneração que assegurem a continuidade do fornecimento sem penalizar os produtores. Em síntese, a operação aponta para a urgência de reformas regulatórias e investimentos em infraestrutura que aumentem a resiliência do sistema, reduzam a vulnerabilidade a choques e minimizem o impacto sobre consumidores, geradoras e distribuidoras.
Perguntas frequentes
O que aconteceu pela primeira vez com as pequenas usinas?
ONS cortou a geração de pequenas usinas conectadas às redes de distribuição para manter a segurança do sistema. Doze distribuidoras foram acionadas. A queda chegou a 23,5% da geração dessas usinas.
Quais tipos de geradores foram afetados?
Unidades centrais como usinas solares e eólicas de menor porte, PCHs e usinas a biomassa. Microgeradores residenciais não foram atingidos.
Como foi o papel das distribuidoras?
Elas realizaram o corte com critérios técnicos. O ONS não controla diretamente essas fontes; as distribuidoras ajustaram a geração em suas áreas.
Quem sofre perdas com o corte?
Os geradores paralisados perdem o pagamento pela energia que não foi produzida. A distribuidora cobre esse custo e repassa ao gerador afetado; podem haver ações judiciais.
Qual é o objetivo da medida?
Garantir a segurança do sistema e evitar apagões diante de excesso de geração renovável e baixa inércia. A ABRADEE diz que o sistema está preparado; pode exigir políticas públicas para melhorar o sistema.