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- Selic permanece em 15% e mantém juros reais elevados
- Brasil ocupa segunda posição mundial em juros reais, atrás apenas da Rússia
- País supera a maioria dos vizinhos da América Latina no ranking
- Manutenção da taxa reflete incerteza sobre a inflação futura
- Banco Central sinaliza cortes graduais a partir de março, condicionados a dados
Brasil mantém Selic em 15% e chega à segunda posição mundial em juros reais
Com a Selic em 15%, o Brasil aparece em segundo lugar no ranking global de juros reais, com aproximadamente 9,23%, segundo levantamento da MoneYou e Lev Intelligence. Na amostra de 40 países, só a Rússia registra juro real maior (9,88%). Esse resultado ocorre num contexto internacional em que o Fed manteve sua postura de juros, influenciando fluxos e expectativas globais.
Principais números do levantamento
O estudo avaliou 40 países e posicionou o Brasil acima de várias economias latino‑americanas:
- Argentina: cerca de 7,63% (3º)
- México: 5,39% (5º)
- Colômbia: 4,22% (7º)
O resultado também se dá em meio a debates sobre integração regional e cooperação econômica, tema sobre o qual líderes da região têm se manifestado — por exemplo, apelos por maior unidade entre países da América Latina.
Entre os BRICS, além da Rússia (liderança), aparecem:
- África do Sul: 4,64% (6º)
- Índia: 3,06% (10º)
Contexto da decisão do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica em 15% na reunião de 28 de janeiro de 2026. A inflação já caiu, mas segue acima do centro da meta: o IPCA acumulado em 12 meses é 4,26% (abaixo do teto de 4,5% e acima do centro de 3%). A comunicação do Banco Central indicou possibilidade de início de cortes a partir da reunião de março, porém de forma cautelosa e gradual, dependendo da evolução da inflação e da atividade econômica. Há também preocupações sobre a qualidade e a continuidade das estatísticas oficiais, tema que ganhou atenção após episódios recentes no IBGE.
Motivações e incertezas apontadas
A manutenção da Selic reflete incertezas sobre o comportamento futuro da inflação e riscos fiscais e externos, incluindo tensões comerciais internacionais. Analistas do levantamento destacam que, apesar de alívio em vários itens da cesta de preços e da queda do dólar, a conjuntura exige cautela na política monetária. Entre os riscos citados estão o aumento da dívida pública federal e mudanças no comércio global, como o impacto potencial do acordo entre União Europeia e Índia. A própria dinâmica cambial, incluindo a queda do dólar e seus determinantes políticos, também pesa nas avaliações de risco.
Metodologia usada no cálculo
A taxa real foi calculada ex‑ante, combinando projeções de inflação para os próximos 12 meses (baseadas no relatório Focus) com a taxa DI a mercado para o mesmo horizonte. Diferenças entre levantamentos podem decorrer da metodologia (ex‑ante versus ex‑post) e do universo de países considerado.
Impacto sobre a economia e previsões
Juros reais elevados mantêm o custo real do crédito alto, freando consumo financiado e investimentos e pressionando o crescimento. Ao mesmo tempo, taxas altas ajudam a ancorar as expectativas inflacionárias.
A projeção associada ao ciclo de juros atribuída ao economista responsável pelo ranking atribuía as seguintes probabilidades para janeiro: 80% de manutenção da Selic, 10% de corte de 0,25 ponto e 10% de corte de 0,50 ponto.
Conclusão
Com a Selic em 15%, o Brasil figura na segunda posição global em juros reais (≈ 9,23%). Essa combinação desacelera demanda e encarece o crédito, ao mesmo tempo em que contribui para a estabilidade das expectativas inflacionárias. O sinal de cortes graduais a partir de março é cauteloso e condicionado aos próximos dados econômicos.
Para investidores, juros elevados aumentam a atratividade da renda fixa; para tomadores, pesam nas parcelas do crédito. O caminho adiante dependerá das próximas leituras da inflação e do desempenho fiscal.
Para mais análises e acompanhamento, acesse Portal Moneynews.
Perguntas frequentes
- Por que a Selic em 15% gera juros reais tão altos?
Porque a taxa nominal está elevada enquanto a inflação projetada é significativamente menor, resultando em juro real elevado.
- O que significa ficar atrás só da Rússia no ranking global?
Indica que o Brasil tem o segundo maior retorno real entre os países avaliados, o que traduz custo de capital elevado e maior atratividade para aplicações de renda fixa.
- Como isso afeta quem toma empréstimo e quem poupa?
Tomadores pagam mais juros; poupadores obtêm maior rendimento em aplicações atreladas à Selic.
- Quando o Banco Central deve começar a cortar a Selic?
O Copom sinalizou cortes possíveis a partir de março, mas de forma gradual e condicionada à evolução da inflação e dos dados fiscais.
- Por que diferentes levantamentos mostram posições diferentes no ranking?
Porque usam metodologias distintas (projeções de inflação ex‑ante ou inflação passada ex‑post) e diferentes conjuntos de países, o que altera posições e valores.