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Na Casa Branca o presidente Lula reuniu-se com Donald Trump para tratar de tarifas e minérios críticos, apresentando uma agenda de parcerias internacionais e defesa de acordos multilaterais. O encontro foi visto como produtivo e reforçou a ideia de que o Brasil está aberto a cooperação com várias nações sem restrições geopolíticas. O artigo acompanha como Lula expõe aos jornalistas os próximos passos, destacando o papel do Brasil na economia global e fortalecendo os laços com os Estados Unidos.
- Lula e Trump classificaram a reunião como muito produtiva e buscaram parcerias internacionais sem restrições geopolíticas
- O Brasil quer ganhar com minerais críticos, incluindo processamento e refino dentro do país
- Acordos multilaterais são vistos como remédio para políticas unilateral e tarifas
- As equipes brasileira e americana vão seguir trabalhando nas tarifas para avançar nas negociações
- O Brasil defende cooperação ampla no combate ao crime organizado, com participação de várias nações e sem hegemonia de nenhum país
Lula e Trump discutem tarifas, minerais críticos e cooperação em encontro na Casa Branca
Resumo do encontro
Após cerca de três horas na Casa Branca, Lula da Silva e o presidente dos EUA, acompanhado de ministros, encerraram a reunião classificando o encontro como muito produtivo e positivo. O almoço fez parte do tempo conjunto, e o brasileiro sinalizou otimismo sobre avanços futuros. Segundo assessores, a conversa abordou temas difíceis que, segundo eles, foram discutidos de forma direta, sem evitar questões complexas.
Temas discutidos e postura brasileira
Lula ressaltou que o Brasil está aberto a parcerias com diferentes países, sem restrições geopolíticas, enfatizando a importância de acordos multilaterais. Entre os tópicos, destacou-se a visão de que o Brasil deve agregar valor a minerais críticos, indo além da simples exportação de recursos.
Ele deixou claro que o Brasil não ficará vinculado a uma única potência e que não há veto a nenhuma nação — EUA, China, França, Índia ou Alemanha. O objetivo, segundo ele, é ampliar a cooperação em setores estratégicos, mantendo o Brasil como líder na cadeia de beneficiamento de minerais.
O presidente mencionou também a percepção de que os EUA e a União Europeia perderam parte do foco na América Latina e citou a necessidade de participação competitiva em licitações de obras públicas no Brasil como exemplo de interesse que precisa retornar.
Tarifa e comércio
Sobre tarifas, Lula indicou que as tarifas brasileiras continuam a manter vantagem para o comércio com os EUA, com uma média de tarifas de 2,7% sobre produtos norte-americanos. Nos corredores da reunião, ficou acordado que as equipes de Lula e Trump terão mais 30 dias para avançar nas negociações de tarifas sobre importações de bens brasileiros para o mercado americano, com o papel do representante de Comércio americano em tom mais firme durante a discussão.
Crimes organizados e cooperação
O tema do combate ao crime organizado foi citado como parte de uma cooperação mais ampla entre países. Durigan, ministro da Fazenda, destacou ações conjuntas e a troca de dados entre Brasil e EUA, que resultaram em apreensões de armas e drogas sintéticas. Lula pediu a criação de um grupo de trabalho regional para fortalecer a cooperação, enfatizando que a luta contra o crime precisa envolver várias nações, de forma coletiva e não hegemonizada por um único país.
Quanto ao tema de PIX, não houve debate na pauta com Trump. Lula informou que o assunto não foi tocado por nenhuma das partes durante a reunião.
Assuntos internacionais, eleições e Irã
Sobre a intervenção de atores externos nas eleições brasileiras, Lula disse acreditar que Trump deve agir como presidente dos EUA, respeitando o processo democrático brasileiro. Ele reiterou o respeito pelo mandatário americano, destacando que apoios eleitorais não entram nas conversas entre líderes.
No âmbito internacional, Lula manteve críticas à ideia de guerras predominantemente regionais. Como demonstração de abertura ao diálogo, entregou a Trump uma cópia de um acordo assinado entre Brasil, Turquia e Irã em 2010, para apontar a possibilidade de resolver disputas por meio da diplomacia. Segundo ele, Trump se comprometeu a ler o documento ainda naquela noite. Lula lembrou que os custos da guerra são elevados e que a diplomacia é o caminho.
Conclusão
O encontro na Casa Branca entre o presidente Lula e Donald Trump foi amplamente considerado produtivo e reforçou o papel do Brasil na economia global. Com foco em tarifas, minerais críticos e uma agenda de parcerias internacionais, ficou claro o compromisso de avançar em acordos multilaterais e de manter o Brasil aberto a cooperações com várias nações, sem negar vetos geopolíticos.
Lula enfatizou que o Brasil quer agregar valor aos minerais críticos, incluindo processamento e refino dentro do país, e destacou a liderança brasileira na cadeia de beneficiamento. As negociações de tarifas com os EUA devem avançar nos próximos 30 dias, mantendo a média de 2,7% como referência inicial.
Além disso, o encontro ressaltou a necessidade de cooperação contra o crime organizado por meio de ações regionais e internacionais, com grupos de trabalho que envolvam várias nações, sem hegemonia de qualquer país. A diplomacia foi apresentada como caminho para resolver disputas, inclusive em temas internacionais, eleições e segurança regional.
Em resumo, o Brasil sai fortalecido como um ator estratégico, buscando uma agenda de cooperação amplamente multilateral, com ênfase no desenvolvimento interno, na diversificação de parcerias e na defesa de uma ordem econômica mais estável e integrada.
Perguntas frequentes
- O encontro foi produtivo e gerou otimismo sobre parcerias com os EUA?
- Lula disse que foi muito produtivo e positivo, e que volta ao Brasil mais otimista.
- O que foi discutido sobre tarifas entre Brasil e EUA?
- As equipes vão trabalhar por mais 30 dias para avançar as negociações. A média de tarifas do Brasil para produtos dos EUA é de 2,7%.
- Lula citou minerais críticos e abertura a parcerias?
- Sim. Ele disse que o Brasil quer ser ganhador, não apenas exportador; quer beneficiar e refinar minerais críticos no Brasil. O Brasil está aberto a parcerias com diferentes países, sem veto geopolítico.
- Houve discussão sobre combate ao crime organizado e cooperação internacional?
- Sim. Lula propôs um grupo de trabalho com países da região e do mundo para fortalecer o combate ao crime organizado, com cooperação, não hegemonia. Durigan destacou a troca de dados aduaneiros para ampliar ações.
- PIX foi assunto na reunião?
- Não. O tema PIX não foi discutido; Lula não o abordou. Ele disse que espera que, um dia, o Brasil possa usar PIX.